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Morte

Passamos a vida iludidos. Todos os dias fazemos escolhas de como vamos usar nosso tempo que só fazem sentido em face da vida eterna. Como é possível achar razoável gastar uma hora do seu possível último dia de vida no Facebook? Ou então discutindo com alguém no trânsito? Se penalizando pelo que aconteceu ou o que está por vir? Pensando em conversar com aquela pessoa ou deixar para outro momento?

Não temos como saber se esta não é a última vez que falamos com um ente querido. A última vez que tomamos café. A última vez que lemos um post. E a verdade é que todo o dia pode ser nosso último. E não existem boas razões para se acreditar que algo nos espera além da morte.

Essa conversa pode parecer mórbida. Mas acho o contrário. A considero extremamente afirmativa da vida. Parte do faz uma flor verdadeira mais bela que uma flor de plástico é sua existência temporária. É perante a consciência da emergência que é a vida que conseguimos fazer escolhas melhores sobre o que fazer agora.

Visto que é tudo tão efêmero não há como justificar ser desagradável com as outras pessoas. Pra que tornar essa curta existência desnecessariamente miserável? Não tem como não termos compaixão por alguém em face dessa realidade. Você gostaria de passar seu último dia de vida magoando alguém? Ou sendo magoado?

Também sinto que esse pensamento é um chamado a ação. Como diria Christopher Hitchens:

Nunca seja espectador de injustiça ou estupidez. A sepultura irá fornecer muito tempo para o silêncio.

Sinto que é de extrema utilidade nos lembrarmos todos os dias da nossa mortalidade. O milagre que é estar vivo. Enquanto ainda somos donos da nossa própria razão. Esse momento não é aquele que teremos que nos despedir apressadamente de alguém que amamos. Vamos fazer o melhor do agora.